Nem sempre é fácil falar sobre diversidade; na verdade, nunca é. São tantos corpos, tantas mentes, um mundo cheio de gente única, mesmo quando inseridas em grupos. O grupo dos cosplayers é grande, somos artistas, criamos técnicas para construir armaduras, customizamos brinquedos para acessórios, costuramos, estilizamos perucas, aprendemos maquiagem... Alguns são melhores em um determinado aspecto, outros desenvolveram mais outro. Há também aqueles que estão começando, um pouco perdidos no início, têm vergonha de perguntar, mas estão se esforçando, aprendendo e se divertindo.
Ora, por mais que existam diferentes grupos, com focos e pautas diferentes, nós todos estamos inseridos em uma sociedade maior; esta nos exige determinado comportamento, fechada em seus próprios conceitos. Como não estamos isolados, nossos grupos acabam tendo reflexos de outros, pessoas que foram criadas em diferentes culturas familiares se encontram em um hobby comum. É nesse ponto que nós temos dois caminhos: o aprendizado através das diferenças, ou o preconceito.
A gente sempre observa um padrão nos ataques às pessoas fora da métrica padrão; quem ataca geralmente é aquele que não vivencia situações constrangedoras por causa de sua aparência. Pessoas gordas, negras, pardas, indígenas, LGBTQIA+, mulheres (ainda mais quando estão dentro de outros desses grupos anteriores) sabem o que é viver diariamente tendo suas atitudes medidas com rigidez. Como se portar, como se vestir, no que trabalhar, como se entreter.
Em um mundo opressor, encontrar um hobby é uma forma de se libertar, de ser criativo, fazer arte. Não deveria então, o mundo cosplayer ser caloroso e abraçar a todos? Anteriormente mencionei que cada grupo tem reflexos da sociedade em geral, com nós não é diferente. Mas pra cada momento em que você se sentir pra baixo, a cada crítica e tentativa de te fazer parar, existem muitas outras pessoas que entendem a sua dor e estão prontas pra te apoiar.
Pessoas que nunca vestiram uma peruca já vieram me dizer quais personagens eu poderia ou não fazer, devido ao meu peso. Mas é nessa hora que a gente tem que focar na máxima: “quem paga minhas contas?”. Nem sempre as pessoas serão gentis, mas a gente precisa trabalhar no amor próprio, eu faço porque eu gosto, eu faço porque eu me sinto bem e ninguém tem o direito de tentar tirar de mim algo que me faz bem, podem até tentar, mas eu não darei esse prazer a eles.
Outro ponto importante: discutir nem sempre é a melhor opção, pois nos desgastamos mentalmente com pessoas que não estão interessadas em aprender. O melhor é se preservar, se afaste de quem faz mal, se aproxime de pessoas com corpo parecido com o teu. Olhe a beleza dessas pessoas e você vai começar a notar semelhanças, vai ver que não é preciso se encaixar pra ser uma pessoa linda e maravilhosa.
Existem muitos cosplayers gordos que fazem um trabalho lindo e acabam não tendo a visibilidade merecida porque estamos tão focados em perseguir um padrão de beleza, seguindo pessoas que são tão diferentes de nós, que não nos abrimos para ver o gordo, o negro fazendo cosplay. Eu mesma, gorda, só recentemente consegui reconhecer, com vergonha, que a maior parte das pessoas que eu sigo não tem nada em comum com o meu tipo físico, são lindas também, mas não são como eu. E se eu me sinto linda, porque não apoiar gente como eu? Se eu quero me sentir linda, porque não ir atrás de pessoas com a beleza parecida com a minha?
Não se fechem em bolhas, mas abram os olhos para a diversidade, olhem para si mesmos e vejam os detalhes que te fazem único e que independente do mundo externo, você mesmo pode tomar algumas atitudes para não deixar ninguém te colocar pra baixo.
.png)



Nenhum comentário:
Postar um comentário